Despertando vidas para reino dos céus!


Mostrando postagens com marcador Luciano Subirá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luciano Subirá. Mostrar todas as postagens

17 de novembro de 2015

Não Mais Olhar Atrás – por Luciano Subirá

“A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus. Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus”. (Lucas 9.59-62)
Temos aqui um chamado de Jesus a duas pessoas diferentes, mas que lhe responderam de modo semelhante. Enquanto Jesus esperava de cada uma delas um profundo comprometimento, elas, por sua vez, estavam presas demais às coisas terrenas e questões transitórias.
A primeira pessoa queria sepultar seu pai antes de seguir esse chamado. Particularmente não creio que o pai já houvesse morrido e o velório estivesse em andamento; penso ser um costume onde o filho (normalmente o mais velho) tinha a sua saída de casa liberada somente depois da morte do pai. Porém, independente de qualquer interpretação ou especulação do assunto, temos alguém dando uma desculpa ao chamado de Jesus, demonstrando estar presa a algo e, assim, impedida de atender prontamente ao Senhor.
A segunda pessoa se oferecesse para seguir a Cristo, mas queria ao menos despedir-se dos seus. Tinha uma prontidão maior que a primeira e uma desculpa menor (ou que se resolveria mais depressa). Mas Jesus deixa claro que depois de terem se envolvido com ele, estas pessoas não tinham mais a opção de olhar atrás. Se o fizessem, não seriam aptas para o Reino de Deus. A palavra traduzida como “apta”, no original grego, é “euthetos”. Segundo o Léxico de Strong, seu significado abrange o conceito de “apropriado” e “útil”.
De acordo com a afirmação do Senhor Jesus, não podemos hesitar em atender seu chamado, nem sermos encontrados presos a coisas ou valores que nos impeçam de seguir adiante em obediência a Ele. A verdade é que todos temos dificuldades de abrir mão de determinados valores. Ficamos presos à algumas coisas de nossa vida. Mas quando se trata de seguir a Cristo, não podemos ter nada que nos prenda. Não podemos mais olhar para trás.
Quem põe a mão no arado, precisa olhar para frente, focar sua meta. Se olhar para trás não será bem-sucedido no que faz. Semelhantemente, se queremos servir ao Senhor, a opção de olhar atrás não deve existir, uma vez que quem assim procede não é considerado “útil” para o Reino de Deus.
Recordo-me que, anos atrás, assisti o filme “Fogo contra fogo” (1995), considerado por muitos um ícone entre os filmes de ação e enredo policial. Na trama, o ator Robert De Niro interpreta a personagem Neil McCauley, um bandido que lidera uma gangue que vem realizando roubos ousados; já o ator Al Pacino interpreta a personagem Vincent Hanna, o detetive que está à frente da caçada a esse bando de criminosos. Num determinado momento, o detetive aborda o criminoso e o convida para tomarem um café. Nessa conversa eles, de forma discreta, medem forças e fazem ameaças. Quando o detetive menciona estar com seu casamento por um fio por ter que perseguir bandidos como o McCauley, ele imediatamente responde ao policial que quem está nesse tipo de vida não pode pensar num casamento. Isso faz o detetive questionar se ladrão não tinha mulher. Ele diz que sim, mas menciona um conselho que recebeu de outro bandido: “Não se deixe envolver com nada que você não possa abandonar em três segundos exatos, se perceber os tiras na sua cola”. Em outras palavras, ele estava dizendo: “Não posso ter que nada que me prenda, que me faça hesitar na hora de que tiver que largar tudo para trás”.
Enquanto assistia o filme recordava-me de muita gente que vi converter-se ao Senhor vindo do mundo do crime. A maioria dizia que, naquele tempo, só dava certo “trabalhar” com gente que não tem nada a perder, que não tem nada que o prenda. Longe de mim parecer que estou ensinando que temos algo a aprender com bandidos, mas penso que eles entenderam a importância de praticar um princípio que, na verdade, é nosso! E foi exatamente isso que Jesus nos ensinou. Diante do chamado de Deus não deveríamos hesitar nem um segundo sequer em atendê-lo.
O QUE SIGNIFICA OLHAR ATRÁS
Antes de falar do significado da expressão usada por Jesus, quero adiantar um conceito importante: as Escrituras apresentam uma clara diferença entre a conversão e a santificação. A primeira fala do rompimento da pessoa com o mundo e o pecado e é a experiência através da qual alguém passa a desfrutar a salvação. A segunda fala do rompimento da pessoa com coisas que impedem seu crescimento e progresso na fé.
John Wesley declarou: “A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão”. Concordo plenamente! Ouvi, ainda menino, um pregador afirmar algo semelhante (usando uma alegoria bíblica): “Difícil não é tirar o povo do Egito; difícil é tirar o Egito do povo!”
Saudades do que ficou para trás
Olhar atrás significa ter saudades do que deixamos, e Deus não admite isto. Jesus também ensinou acerca disto:
“Lembrai-vos da mulher de Ló”.  (Lucas 17.32)
Além de validar o relato do Velho Testamento sobre o que ocorreu com a mulher de Ló, Jesus está nos dizendo que precisamos aprender com ela.
O Velho Testamento está cheio de memoriais. Monumentos ou episódios que não deveriam ser esquecidos. Não para que o povo de Deus ficasse preso à história, mas para que retivesse as lições que serviriam sempre ao mesmo propósito.
A mulher de Ló
Quando o Senhor tirou Ló e sua família de Sodoma, advertiu-lhes claramente a que não olhassem para trás:
“Havendo-os levado fora, disse um deles: Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças”. (Gênesis 19.17)
Temos uma figura aqui. Sodoma e Gomorra figuram este mundo perdido e devasso que há de ser julgado por Deus. Mas o livramento de Ló e sua família figuram nossa salvação e livramento do juízo e condenação deste mundo. Mas para não ser julgado com o mundo, não basta apenas sair geograficamente dele. É preciso que nosso coração também saia de lá!
Ao ordenar que não olhassem atrás, Deus estava dizendo que seria o fim de tudo aquilo, e que o coração deles deveria estar totalmente desprendido. Mas a mulher de Ló desobedeceu a ordem divina.
“E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal”.  (Gênesis 19.26)
A concordância de Strong mostra que a palavra hebraica traduzida para olhar é “nabat”. Também significa “contemplar, mostrar consideração a, prestar atenção”. Não fala de alguém que olhou por curiosidade para ver o tamanho do estrago produzido pelo juízo divino. Fala de alguém que tinha seu coração preso ao que deixou, mostrando com isso consideração pelas coisas que havia abandonado. A mulher de Ló é uma figura do comportamento de muitos crentes de nossos dias, e por isso deve ser lembrada.
Dificuldade de desprendimento
Olhar atrás fala da dificuldade de desprendimento. Matthew Henry declarou: “A primeira lição na escola de Cristo é a abnegação.”
Há muita gente que não consegue se desprender das coisas das quais Deus os libertou. Aquilo que um dia te prendeu, potencialmente ainda é um perigo. Por isso Paulo advertiu aos gálatas dizendo:
“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. (Gálatas 5.1)
O apóstolo nos revela que o mesmo jugo de escravidão que nos oprimiu um dia, tentará pesar sobre nossos ombros novamente.
Precisamos entender que o fascínio do mundo e os pecados que nos acorrentaram um dia, ainda são um perigo para nós depois da conversão. Se não quebrarmos os vínculos com o passado, podemos nos ver pressos de novo. Assim como a mulher de Ló foi roubada de sua vida tornando-se uma estátua de sal, podemos também perder a vida de Deus em nós pelo fato de olhar para trás.
É por isso que nossa primeira mensagem deve ser sempre o arrependimento. Esta era a mensagem de Jesus (Mc 1.15). Era a mensagem que ele deu aos apóstolos (Lc 24.47). É um dos rudimentos da doutrina de Cristo (Hb 6.1,2). Quando mostramos a alguém que ele é um pecador, qual sua condição em consequência disto, bem como o preço colhido do pecado, estamos levando-o a uma possível quebra de vínculos com seu passado.
Sem um profundo arrependimento e dor pelo pecado, o crente pode ter saudades daquilo que deixou e olhar para trás.
No coração voltaram ao Egito
Existe dois tipos distintos de desviados. Há aquele tipo de desviado que vira as costas para Jesus e a Igreja e volta para o mundo:
“…Demas me abandonou, tendo amado o mundo presente, e foi para Tessalônica…” (2 Timóteo 4.10)
E também há aquele tipo de desviado que se desvia só em seu coração, embora continue fisicamente no caminho. Foi a estes que Estevão se referiu em sua mensagem, quando mencionou a geração de israelitas que saiu do Egito e rejeitou o ministério de Moisés:
“É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir. A quem nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, no seu coração, voltaram para o Egito, dizendo a Arão: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos”. (Atos 7.38-41)
A frase: “no seu coração voltaram ao Egito” revela a atitude de olhar para trás e desejar aquilo que foi antes deixado. Eles não voltaram literalmente ao Egito, da mesma forma como muito crente não chega a abandonar a Igreja, mas no seu íntimo viviam lá, como muito crente faz, sem se desligar das práticas (ou fantasias) mundanas.
Veja o que a Bíblia diz sobre como procediam:
 “E o populacho [povo misto] que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná”. (Números 11.4-6)
Tem muito crente assim na Igreja. Gente que sente saudades da bebida, das drogas, do sexo ilícito, das festas e de toda sujeira mundana e do pecado do qual foram libertos por Jesus. Eu acho isto muito, muito curioso. Não se lembram que antes eram escravos, que sofriam, que era um tempo difícil e de perseguição. Conseguem ter saudades apenas do que eles achavam que era bom. Esta atitude interior de saudade do que foi deixado, é olhar para trás como a mulher de Ló olhou. É voltar ao Egito, ainda que não seja de modo literal.
No coração, estão voltando para lá. Na verdade, acredito que antes do desvio que envolve o abandono de tudo, a pessoa começa se desviando em seu coração. Por isso a experiência de conversão não deve ser banal. A pessoa tem que saber valorizar aquilo que está abraçando e saber rejeitar para sempre o que está abandonando. O arrependimento genuíno produzirá este tipo de atitude em nós.
COMO GUARDAR-SE DE VOLTAR ATRÁS
O que podemos fazer, de forma prática, para não incorrer no erro de olhar atrás?
Quero, de forma resumida, oferecer alguns conselhos objetivos:
Consciência espiritual
O Senhor Jesus instituiu a Ceia da Aliança com o propósito de nos manter conscientes da sua morte e redenção por nós (1 Co 11.24,25). Isto nos faz perceber que devemos alimentar a gratidão e o compromisso através da lembrança do que foi feito por nós.
Esquecer-se do que éramos e do Cristo fez por nós é pura ingratidão. Pedro se refere de forma negativa àqueles que se esqueceram da purificação de seus pecados de outrora:
“mas aquele em quem não há estas coisas, é cego, vendo só o que está perto, porque se tem esquecido da purificação dos seus pecados antigos”. (2 Pedro 1.9 – TB)
Para olhar para trás é preciso se esquecer do que éramos e do preço que foi pago. Portanto, uma boa forma de nos guardar é manter o nosso coração consciente destes fatos em todo o tempo. Assim, não mais olharemos atrás e nos conservaremos firmes em nossa fé.
Firmeza
Alguns acham que nada devemos fazer por nossa firmeza, mas o fato é que as Escrituras nos ensinam que devemos intencionalmente fazer mais firme a nossa vocação, evitando assim de tropeçar, ou voltar atrás.
“Por isso, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em fazer firme a vossa vocação e eleição; porque fazendo isto, não tropeçareis jamais. Pois assim vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. vinda de Cristo”. (2 Pedro 1.10,11 – TB)
Somos ordenados pela Palavra do Senhor a vigiar e cuidar de nossa própria firmeza. Contudo, muitos crentes vivem como se nunca tivessem recebido esta ordem. Transferem o cuidado de si sobre outros, mas o fato é que isto é responsabilidade nossa, e de mais ninguém:
“Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que… descaiais da vossa própria firmeza”. (2 Pedro 3.17)
Prevenir-se. Acautelar-se. São palavras que indicam uma atitude (e responsabilidade) que Deus nos deu. E o propósito e não descair da própria firmeza. Ao falar assim, o Senhor nos mostra que a queda é uma possibilidade, mas nos mostra que pode ser evitada por prevenção e cuidado.
Voto de compromisso
Acredito que em nosso coração devemos firmar um compromisso formal com Cristo de não deixá-lo jamais. Ele prometeu que estaria conosco todos os dias (Mt 28.18). Também prometeu não nos abandonar:
“…porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”. (Hebreus 13.5)
Se Deus prometeu não nos abandonar, porque nós não deveríamos fazer o mesmo?
Penso que cada cristão deveria se comprometer a não mais voltar atrás. Prometer isto em seu coração e também com sua boca, da mesma forma como um cônjuge se compromete com outro: sabendo que é para sempre e que não se pode mais voltar atrás. Imagine uma noiva dizendo ao seu noivo, no dia do casamento, que não poderia garantir se conseguiria ser fiel ou não, que seria melhor não prometer nada para não correr o risco de quebrar uma promessa…
Não devemos ter medo do compromisso, pois isto seria o mesmo que entrar já não acreditando na duração de um relacionamento. Devemos pensar bem antes de entrar, e então entrar para não mais voltar atrás.
Deus está nos chamando a renovar nosso compromisso e aliança com Ele, e firmarmo-nos cada dia mais em nossa fé e andar n´Ele. Como você responderá a Ele?

23 de junho de 2015

CULTO DE FAMÍLIA - ALGO IMPORTANTE NO LAR CRISTÃ

No ano de 2010, depois de uns dias hospedados na casa dos pastores Abe e Andrea Huber, da Igreja da Paz de Fortaleza/CE, eu e minha esposa voltamos, entre tantas coisas, impactados pela prática (desta família exemplar) de um princípio tão simples, e ao mesmo tempo tão poderoso e profundo: o culto em família.
Até então eu não ignorava este conceito, pois cresci num lar cristão que conhecia esta prática (embora na casa de meus pais fosse algo mais esporádico) e em nossa própria casa já havia feito o culto doméstico, embora não com a intensidade e frequência que deveria. Às vezes orávamos juntos, outras vezes louvávamos juntos a Deus e em outras ocasiões compartilhávamos as Escrituras, embora raramente fazíamos tudo isto junto. Contudo, depois de participarmos de um destes cultos com a família Huber, Kelly e eu sentimo-nos muito encorajados e seguimos o conselho do irmão Abe de tentar realizar este culto doméstico cerca de cinco vezes por semana (a exceção fica pelos dois dias em que já cultuamos juntos: um na celebração do domingo e outro na célula).
Desde então temos vivido momentos preciosos em família na presença do Senhor, mais do que o que usualmente desfrutávamos. Adoramos juntos a Deus, oramos juntos ao Senhor, nos intercalamos a cada culto repartindo uma porção da Palavra e algum testemunho… e acreditamos que, num ambiente diário desta prática do culto familiar (além do momento devocional de cada um), é quase impossível que o diabo consiga ferir esta família!
E desde então, não apenas temos nos dedicado a ter nosso culto familiar, como também, sempre que hospedamos alguém em casa os convidamos a participarem desse nosso momento tão precioso, esperando que isto também os encoraje a começarem a fazer o mesmo!
Precisamos praticar este princípio do culto em família. O que compartilho a seguir são fragmentos de outros estudos bíblicos, principalmente “A Vida Espiritual da Família” (que já havia publicado em nosso site). Porém, tentei reorganizar e editar a exposição de alguns princípios, de modo a fazer mais sentido na visão do culto familiar que estou abordando aqui.
Exercer liderança espiritual no lar não exige apenas ter um culto com horário específico ou dia marcado, é atividade a ser exercida sempre, em diferentes situações. Mas a prática de um culto em família auxiliará, e muito, a vivência deste princípio.
CULTUAR JUNTOS NAS CELEBRAÇÕES PÚBLICAS
Devemos desenvolver o hábito de cultuar a Deus em família, o que envolve – primariamente – o ir juntos à Casa do Senhor, como vemos acontecendo desde os dias do Velho Testamento:
“Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres e os seus filhos.”  (2 Crônicas 20.13)
“No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu até de longe.”  (Neemias 12.43)
Elcana subia com toda a sua família para adorar ao Senhor (1 Sm 1.1-5). Acreditamos que pais cristãos devem levar seus filhos à igreja. Mesmo que ela não seja perfeita (e não é, porque não existe igreja perfeita!), é melhor que eles cresçam num ambiente que exalta ao Senhor e Sua Palavra do que num ambiente mundano que exalta o pecado e os prazeres da carne.
Lemos no Evangelho de Lucas que os pais de Jesus o levaram ao templo para consagrarem-no ao Senhor (Lc 2.22-24), depois há registros de que o fizeram por ocasião da Festa da Páscoa quando ele estava com 12 anos (Lc 2.41-43), mas a maior evidência de que Jesus cresceu exposto ao ensino da Lei na Sinagoga era o conhecimento que Ele trazia (como homem) das Escrituras.
CULTUAR JUNTOS NAS CASAS E GRUPOS MENORES
Cultuar ao Senhor em família não envolve somente as celebrações públicas da igreja, mas também deve abranger as reuniões nas casas (nós, particularmente, denominamos estas reuniões nas casa de “células”). A Igreja do Senhor Jesus, desde o início, também se reunia nas casas:
“E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.”  (Atos 2.46,47)
Além dos encontros públicos (como o que se dava no pátio do templo), era nas casas que a Igreja de Cristo não só partia o pão (seja a ceia do Senhor ou os ágapes – as festas de amor) como também louvava a Deus e ganhava outras pessoas para Jesus. Era nas casas também que a palavra do Senhor era pregada:
“E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus, o Cristo.”  (Atos 5.42)
“…não me esquivei de vos anunciar coisa alguma que útil seja, ensinando-vos publicamente e de casa em casa.”  (Atos 20.20)
CULTUAR JUNTOS EM NOSSA PRÓPRIA CASA
Além das reuniões públicas e nas casas, podemos ter reuniões ainda menores. Jesus, por exemplo, falou de dois ou três reunindo-se em seu nome para orar. Creio que devemos cultivar o hábito de ter um culto familiar em nossa própria casa. Foi exatamente isto que aconteceu na casa de Cornélio (At 10.33). A reunião familiar também não precisa acontecer apenas dentro de casa, podemos nos reunir em algum outro lugar (e até mesmo com outras famílias) para buscar ao Senhor:
“Passados aqueles dias, tendo-nos retirado, prosseguimos viagem, acompanhados por todos, cada um com sua mulher e filhos, até fora da cidade; ajoelhados na praia, oramos.”  (Atos 21.5)
Lucas revela-nos, no livro de Atos dos Apóstolos, detalhes de um ambiente de busca ao Senhor nas casas daqueles que os hospedavam:
“E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesaréia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. E tinha este quatro filhas virgens, que profetizavam.”  (Atos 21.8,9)
O enfoque das filhas profetizando (como foi predito pelo profeta Joel – Jl 2.28) revela um ambiente de oração e fluir dos dons dentro da casa de Filipe, o evangelista.
ORANDO JUNTOS
Penso que além de cobrir a vida dos familiares com oração, o cabeça do lar deve proporcionar um ambiente de oração onde os seus não só recebam oração em seu favor, mas também aprendam a orar uns pelos outros.
Além disso, sempre que possível, a família também deve procurar orar junta, assim como pratica o costume de comer junta. O salmista fala dos filhos à volta da mesa:
“A tua mulher será como a videira frutífera, no interior da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira, ao redor da tua mesa”  (Salmo 128.3)
Muitas famílias deixaram de se reunir à volta da mesa para comer cada um no seu canto, na sua hora, ou até mesmo em frente à televisão. Isto é errado! A mesa é um lugar de comunhão! Porque deixamos de praticar muitas tarefas em conjunto, como família, é que hoje nos parece algo tão estranho e desconfortável tentar reunir a família para orar e adorar a Deus.
Uma família cristã deve aprender a prática da oração conjunta. Não quero dizer orar junto o tempo todo, pois a vida de oração e devoção a Deus ainda tem caráter individual, mas isto também deve acontecer no ambiente familiar. Quando uma família ora junto, goza de princípios operando em seu favor que, seus membros, orando sozinhos, não chegariam a experimentar.
“Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”  (Mateus 18.19,20)
A Bíblia mostra que deve haver sintonia natural e espiritual entre a família (o que o apóstolo Pedro aplica ao casal serve também para toda família). Desentendimentos vão roubar o poder de unidade nas orações, que por sua vez serão impedidas:
“Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações.”  (1 Pedro 3.7)
Muitos de nós normalmente não paramos para pensar na responsabilidade que temos como pais. Se deixarmos nossos filhos entregues à influência do mundo que os cercam de todos os lados (na escola, na mídia – que envolve televisão, rádio e principalmente a internet – na vizinhança, etc.) e não os levarmos à presença do Senhor para que aprendam a amá-Lo e temê-Lo, poderemos perdê-los espiritualmente (e eternamente).
ENSINANDO E CORRIGINDO OS FILHOS
Como pais, temos a responsabilidade de ministrar (e corrigir) nossos filhos no caminho do Senhor:
“E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.”  (Efésios 6.4)
Quais as consequências de se negligenciar o ensino da Palavra em casa? Juízo divino para o cabeça do lar, além da evidente rebeldia e frieza espiritual que se manifestará vida dos filhos. A primeira palavra profética que Samuel proferiu foi contra alguém que ele certamente amava: o sacerdote Eli, que o criara no templo. E o que Deus disse envolvia a casa dele e sua negligência no sacerdócio familiar:
“Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o cumprirei. Porque já lhe disse que julgarei sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele não os repreendeu.”  (1 Samuel 3.13)
O Senhor trouxe advertências anteriores, mas Eli não deu ouvidos. Deus está falando de negligência, aqui. Diz que embora conhecesse bem o pecado dos filhos, Eli não os repreendeu. Toda omissão na vida espiritual do lar sempre trará consequências sérias. Davi teve problemas com vários de seus filhos, e se você estudar com calma a história dele, perceberá o quanto ele era negligente em relação a seus filhos. Adonias, assim como Absalão, se exaltou, querendo usurpar o trono. Mas por trás desta atitude de rebelião, a Bíblia mostra a negligência de Davi como líder espiritual em sua casa:
“Jamais seu pai o contrariou, dizendo: Por que procedes assim?”  (1 Reis 1.6)
Se não queremos sérios problemas futuros com nossos filhos, muito menos a qualidade do relacionamento deles com Deus comprometidos, então precisamos ser dedicados em ministrar, ensinar e proteger espiritualmente as suas vidas.
Quando temos nosso culto familiar instruímos nossos filhos de forma prática sobre como viver o Evangelho entre seus amigos de escola. Perguntamos e eles abrem o coração sobre suas dificuldades e oramos juntos. Mas também permitimos que eles compartilhem o que estão descobrindo acerca das verdades da Bíblia em seu tempo de leitura e estudo e como podemos viver e aplicar isto em nosso cotidiano.
É claro que não os ministramos só na hora do culto, mas sempre que a ocasião se mostrar necessária. Porém, descobrimos que, em nosso culto em família, temos um dos melhores ambientes para exercer nossa responsabilidade de, como pais, ensinar a Palavra de Deus a nossos filhos:
“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.”  (Deuteronômio 6.6,7)
“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.”  (Provérbios 22.6)
COMO DEVE SER O CULTO?
Nossos cultos familiares variam de quinze minutos a mais de uma hora. Depende do dia e do tempo que temos. Mas procuramos manter uma estrutura básica. Eis o que fazemos: 1) Adoramos a Deus com canções e declarações de amor e gratidão. Minha esposa e meus filhos tocam instrumentos musicais (eu só toco sino – e não dá para dizer que faço muito bem!), logo é difícil o dia em que não temos uma boa música. Porém, quando estamos em viagem, longe do violão e do piano, apenas cantamos juntos. 2) Oramos de modo organizado distribuindo os pedidos e alvos de oração e intercessão. 3) Temos um momento de compartilhar da Palavra de Deus. Porém, não é necessariamente uma pregação; é mais um compartilhar que tentamos fazer ser seguido de uma aplicação prática. Embora, por serem filhos de pregadores, nossas crianças gostem de dar o que eles mesmos chamam de uma “pregadinha”. Isto é o que fazemos em nossa casa.
Contudo, cada um deve decidir a forma como conduzirá o culto em sua própria casa. Procurei seguir o modelo que aprendi na casa dos pastores Abe e Andrea Huber, porém, com a liberdade de fazer as adaptações do que, como família, já fazíamos muito bem – como o nosso estilo de cantar, orar e compartilhar a Palavra.
Que o Senhor ajude a cada um a, não somente começar este prática, como também a perseverar nela. Isto será saúde e proteção espiritual para o seu lar!!!
Por Luciano Subirá
Fonte: Orvalho.com

Postagens mais antigas Página inicial
Copyright © DESPERTAI COM CRISTO | Suporte: Mais Template